Se se faz girar com rapidez no entorno do corpo, com os braços estendidos, um balde parcialmente cheio de água, o conteúdo não se derrama, mesmo que o balde esteja vol­tado sôbre um lado, O princípio responsável por êste fenômeno é conhecido pelos físicos pelo nome de força centrífuga. Ao mesmo tempo que se faz girar o balde, a água tende a permanecer dentro dêste, pressionada con­tra o fundo (isto é, para fora em relação a quem faz girar o balde), ou contra o centro de rotação pela fôrça centrífuga.

Éste é um exemplo bastante direto de como se origina esta fôrça, embora haja muitas outras aplicações mais práticas.

Sabemos, segundo as leis dos corpos em mo­vimento, enunciadas por Isaac Newton, que as fôrças sempre se originam aos pares, sen­do cada uma delas de igual valor e sentido contrário. A fôrça de que se necessita para manter um corpo que gira dentro de sua trajetória, evitando que vá para fora, é co­nhecida como fôrça centrípeta e é igual contudo de sentido contrário à fôrça centrifuga, No caso do exemplo mencionado, esta fôrça centrípeta se manifesta como o esfôrço rea­lizado pelo braço para sustentar o balde. Podemos ver, bastante facilmente, como es­tas fôrças se relacionam com a velocidade com a qual o objeto se move dentro de sua órbita.

Um exemplo emocionante constitui, no espetáculo circense, um motociclista que dá voltas dentro de uma grande esfera de ma­lha metálica. Quando sua máquina se move lentamente, o motociclista não pode subir muito alto, contudo a velocidades maiores a força centrífuga que tende a lançá-lo para fora é tão grande, que pode fazê-lo subir verticalmente até a cúspide da esfera e gi­rar sem perder o contato com a “pista”, apesar de se deslocar de “cabeça para baixo”.

A inclinação que se observa nas curvas das vias férreas obedece ao mesmo princípio: a fôrça centrífuga que impulsiona para fora o trem quando éste entra na curva é ciMS­ta pela fôrça centrípeta que se manifesta quando o lado das rodas pressiona sôbre os trilhos. Éste esfôrço se reduz considera­velmente inclinando-se as vias de um certo’ngulo, de modo que o trilho exterior (o mais afastado do centro de curvatura) esteja a uma maior altura que o interior.

Outro exemplo parecido constitui a pista de Avus, na Alemanha, onde já no ano de 1937 as médias de velocidade estabelecidas pelos carros de corrida chegavam a 261 km/h, com recordes de até 280 km/h. Isto podia ser conseguido porque aquela pista tinha curvas construídas com uma extraordinária incli­nação, para o lado fechado, que chegava a 95 graus, Desta maneira, conseguia-se precisamente vencer a grande fôrça centrifuga que essas velocidades provocavam nos giros.

Uma idéia de tal fôrça dá-nos o cômputo de que, no momento da passagem sôbre a cur­va, os pneumáticos deviam suportar nada menos que 3 vêzes o pêso da máquina.

 

Os chamados trajes de pressão, criados pelos japonêses durante a Segunda Guerra Mun­dial e depois adotados por quase tôdas as demais fôrças aéreas, constituem uma solu­ção bastante aceitável para o problema da tremenda fôrça centrífuga à qual está sub­metido o pilôto num combate aéreo. Êste traje evita que, nos giros violentos, o san­gue se desloque e se concentre por centri­fugação, com o subseqüente desfalecimento e perda momentânea da visão. Mas nem sempre a fôrça centrifuga é negativa; muitas vêzes o homem se vale dela para obter pro­veito.

Um bom exemplo da aplicação prática dêste princípio temos no aparelho denominado centrifugador. Se temos uma suspensão de um sólido num liquido, ou uma mescla de líquidos de diferentes densidades, isto é, que têm relações diferentes de peso para volume (por exemplo, creme e leite), e que foram mesclados até formar uma emulsão, pode­mos separá-la se a deixamos repousar du­rante um tempo suficiente. A atração que exerce a gravidade sôbre o leite é maior que sôbre o creme, menos denso, que vai para a superfície. Êste processo pode ser acelera­do centrifugando a mescla (estas centrifu­gadoras têm a forma de uma tigela que gira rapidamente). Dêste modo o leite é impul­sionado para mais longe do centro que o creme, o qual, por não ser tão denso, não padece com tanta intensidade os efeitos da fôrça centrífuga que se origina.

Também bombas centrifugas e turbinas cen­trifugas que trabalham com líquidos e ar, respectivamente, são um acêrto mecânico. Devemos recordar que os turborreatores centrífugos recebem êste nome porque sua alimentação de ar é produzida por uma tur­bina dêsse tipo. Na fundição de metais, as injetoras centri­fugas são insubstituíveis pela precisão, se­gurança e qualidade dos fundidos. Êste tipo de injetora recebe o metal fundido por um sorvedouro central, e mantem encostada uma bateria de

 
Fonte: Enciclopédia Tecnirama, Editorial Codex S.A. 1962.