Nasceu Alvaro Teixeira de Macedo na cidade de Recife, na provincia de Pernambuco, aos 13 de Janeiro de 1807, sendo seus pais o Sargento-Mór Diogo Teixeira de Macedo e D. Ana Matoso da Camara de Macedo. Era irmão do Conselheiro Sergio Teixeira de Macedo, que foi ministro do Império e uma das figuras mais representativas do segundo reinado.
Tendo feito os seus primeiros estudos em Recife, foi Macedo mandado para um colegio em Londres, aonde permaneceu quatro anos. Regressando ao Brasil, procurou dedicar-se ao comercio no Rio de Janeiro, ideia que logo abandonou, partindo novamente para Europa, com a intenção de estudar medicina em Paris. Não suportando o inverno em França, passou-se Macedo para Portugal, com o proposito de se matricular na Universidade de Coimbra. Foi ainda infeliz o poeta pernambucano, pois a sua chegada em Lisbôa coincidiu com a revolução miguelista, durante a qual se fechára a Universidade.
Contrariado, regressou Macedo ao Brasil, matriculando-se em 1829 na Academia de Direito de Olinda, onde recebeu o gráu de bacharel, em 1833.
Os seus primeiros trabalhos literarios datam de 1829, e o mais antigo que conhecemos, é uma poesia dedicada á, Independencia, publicada no Diario de Pernambuco de 15 de Setembro de 1829.

Em suas rapidas passagens pela Europa, num período em que o romantismo estava em plena florescencia na França e na Inglaterra, deveria ter Alvaro de Macedo absorvido alguma cousa das novas doutrinas líterarias que enchiam a mentalidade ocidental, e isso mesmo se depreende da sua colaboração no Olindense, no período de 31 a 32.

Todavia, a sua obra maxima, A Festa de Baldo, editada em 1847, é ainda um poema de acentuada feição classica. Alvaro de Macedo é um dos ultimos e mais negativos poetas da fase de transição romantica. No genero heroi-comíco em que se ensaiou, ficou muito abaixo das sensaborias do Reino da Estupidez de Melo Franco.
Depois de graduado em direito, em 1833, ocupou Macedo o cargo de escrituraria da Alfandega do Rio de Janeiro, partindo em 1834 para Lisbôa, como adido á legação brasileira em Portugal.
Dedicando-se definitivamente á diplomacia, serviu como secretario na legação da Inglaterra em 1836, encarregado interino de negocias junto ao governo da Austria em 1843, e, finalmente, encarregado efectivo na côrte da Belgica.
Residia Macedo em Bruxelas, para onde já fôra doente e quasi cego, quando faleceu a 7 de Dezembro de 1849.
A unica obra publicada que nos deixou Alvaro Teixeira de Macedo, foi a Festa de Baldo – Poema míxto dedicado ao ilustrissimo senhor Roberto Lucas, em sinal de respeito, amizade e gratidão filial, que consagra o autor, seu genro, a tão bom e estimavel sôgro. – Lisbôa – 1847 – in 8.° de 94 pgs.
No Diario de Pernambuco de 15 de Setembro de 1829, publicou a poesia A’ Independencia, depois reproduzida no Jornal de Recife em 6 de Dezembro de 1877.
No Olindense que redigiu com seu irmão Sergio de Macedo, publicou o poeta alguns trabalhos políticos e literários, entre os anos de 31 e 32. Estes escritos nunca foram coligidos e publicados em edição separada. Sacramento Blake afirma saber que Alvaro Macedo escrevera, quando estudante, variadas  poesias, avulsas, um drama em verso e uma tradução do Otelo de Ducis.

E contudo, pelo seu poema A Festa de Baldo, e por certas tendencias romanticas que manifestou em alguns dos seus escritos anteriores a 1836, que este poeta merece um lugar nesta fase e neste livro posto fosse nula a sua atividade na história do romantismo brasileiro.

A Festa do Baldo, escrita em 1842, é insipido poema em versos brancos, dividido em oito rincões. Na pobreza de sua inspiração e na mediocridade da sua forma, ele tinha intuitos analistas e pretensões a estudo social.

Varnhagen, no Florilégio da Poesia Brasileira, transcreveu-lhe o ultimo canto, julgando-o  o primeiro poema heroi – comico brasileiro. Em que pese a avaliação do ilustre historiador paulista, achamos que o Reino da Estupidez, quer como  inspiração, quer como força satírica e humoristica, fica muito acima do poema de Macedo.

Todavia, convém que tenhamos bem presente que a Melo Franco também escasseavam qualidades de cómico e de satírico.

O Reino da Estupidez é na Literatura brasileira um produto falso, como é também A Festa de Baldo. Ambos Foram o Fruto de um despeito mesquinho, e como tal, falham aos intuitos elevados de uma obra de arte.

Ferdinand Wolf, Antonio Joaquim de Melo e pereira da Costa, tambem se derramam em exagerados  encomios á obra de Macedo, desculpaveis aliás nos dois ultimos, que o fizeram mais por um acendrado espirito  de batismo, que em obediencia a qualquer senso crítico.

A Festa de Baldo, escreve Silvio Romero, “como espelho de um espirito e como retrato de uma época,é de uma mediocridade pasmosa”.
O auto, para se desforrar de uma injustiça qualquer que lhe fizeram na carreira diplomatica, concebeu e realizou o poema, cujos protago istas têm falsos ares de conselheiros e reestabelecidores politicos :

“Em pequenas distancias, a pé firme,

Varios grupos ficaram reunidos,

Conversando entre si devidamente,

Se o têma contemplado era ciência,

Ou arte razoável, definida,

Aqueles que falavam pareciam

Circunspectos, civis, e comedidos,

Ouvindo com atenção e cortesia,

Cedendo, quando a força do argumento

Continha convicções bem ponderadas.

Se o assunto, contudo, era politica,

Vaidosa profissão de certa gente,

Que se ocupa do Estado, e do Governo,

Não sei que geringonça e de mau toque,

Se ouviu proferir de muitos labias,

E não sei duvidoso como pinte

O complexo de frases e sentenças,

Dos grandes palavrões, da muita audacia,

Dos ares, e donaires de tal gente,

Gente, que tanto fala, e pouco escuta,

Gente, que escuta mais do que devêra,

Gente, que mais esquece do que lembra,

Gente inconstante e má que aos povos hoje,

Umas vezes da cr’oa soberana,

E mil outras, condena a vil despreso;

Gente, que até dos irõnos vai fazendo

Náus de viagem, das rainhas fusos,

E dos reis seus discipulos de oratoria!

Gente, enfim, que p’ra tudo é convidada,

E que Baldo pediu fôsse ao festejo.”

O poema demonstra, na inteireza massiça dos seus versos, pouca imaginação do autor, muito artificialismo em sua composição, e ausencia completa do espirito que dominava na poesia brasileira, no ,tempo em que foi escrito.

Como obra cómica e satírica, é sensaborão e grosseiro; escasseia-lhe agudeza de análise e instinto de observação. E’ monótono, prosaico e superficial. Na sátira de costumes, o autor da Festa de Baldo não atingiu as alturas de Pope e ficou muito abaixo de Cruz e Silva e Melo Franco.

 

Fonte: PARANHOS, Haroldo. História do romantismo no Brasil. São Paulo: Edições Cultura Brasileira, 1937.

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