Nasceu Araujo Viana em Congonha do Sabará, aos 15 de Setembro de 1793, sendo seus pais o Capitão-mór Manoel de Araujo Cunha e d. Mariana Clara da Cunha. Partindo muito jovem para Portugal, matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde em 1821 recebeu o gráu de bacharel em direito.

Nomeado para o cargo de promotor de capêlos e resíduos da comarca de Sabará, não chegou a tomar posse do lugar por haver sido despachado, em Dezembro do mesmo ano, juiz de fóra em Mariana.

Araujo Viana dedicou toda a sua vída á magistratura, ten­do chegado a ministro do Supremo Tribunal de Justiça, cargo no qual se aposentou, em 1860. Representou a província de Mi­nas na Constituinte de 1823, ocupando depois uma cadeira na Carnara dos Deputados, de 1826 a 39.

Escolhido para senador em Abril de 1840, foi mais de uma vez presidente da Camara Alta.

No primeiro reinado presidiu as provincias de Alagôas e Maranhão, tendo sido ministro de Estado de 33 a 34 e de 41 a 43.

Araujo Viana possuía grande numero de titulos honorifi­cos e condecorações nacionais  estrangeiras, tendo sido agraciado pelo imperador D. Pedro II com o titulo de Marquês de Sapucaí e Conselheiro de Estado. Foi professor de matemática e literatura de D. Pedro II e das princêsas Isabel e Leopoldina.

O Marquês de Sapucai foi uma figura de grande relêvo nos dois reinados, sempre considerada e respéitada no paço imperial. Tendo-se afastado da vida publica em 1843, faleceu no Rio de Janeiro aos 23 de Janeiro de 1875.

Deixou alguns discursos, pronunciados no Instituto Historico Brasileiro durante trinta anos, insertos na Revista Triminsal de 1843 a 1873, e na Camara dos Deputados, reunidos no Diario da Assembléia de 1823 a 24.

Araujo Viana cultivou a poesia com grande delicadeza de sentimento e expressão, não tendo todavia publicado as suas produções.

“Tão atarefado sempre de estudos e trabalhos importantes em desempenho dos elevados cargos que ocupou, – escreve Xa­vier da Veiga, _ ainda assim ao ilustre Marquês de Sapucaí so­bejava tempo para, em horas de calma ou intimas magoas,con­sagrar-se á poesia, de que foi cultor com inspiração e sentimen­to delicado “.

Como poeta tornou-se Araujo Viana celebrado com a sentida elegia que escreveu, ao levar: ao tumulo da filha as primeiras flores nascidas em um canteiro de violetas, que a moça plantára, pouco antes de morrer:

” Da planta que mais presavas,

Que era, filha, os teus amores,

Venho de pranto orvalhadas.

Trazer-te as primeiras flores …

 

Em vez de afagar-te o seio

D’ enfeitar-te as lindas tranças

Perfumarão esta lousa

Do jazigo em que descansas.

 

Já lhes falta aquele viço

Que o teu desvelo lhes dava …

Gelou-se a mão protectora

Que tão fagueira as regava …

 

Desgraçadas violetas,

A fim prematuro correm …

Pobres flores tambem sentem!

Tambem de saudades morrem!”

 

Esta poesia, pela singeleza, pelo sentimento e pela sinceri­dade com que foi feita, merece um lugar em nossa historia literaria, E, não foi sem razão que Silvio Romero achou na simpli­cidade da linguagem dos versinhos de Araujo Viana, a verdade do sentimento que os inspirou.

“A bôa poesia é assim transparente e límpida em sua espon­taneidade”, conclue ‘O ilustre crítico sergipano.

Como orador parlamentar e prosador, Araujo Viana pouco se distinguiu, sendo mais notavel, pela veemência do estilo, o ar­tigo com que contestou os serviços prestados por José Bonifacio á causa da independencia, transcrito no Primeiro Reinado de J. F. da Veiga. Os seus demais trabalhos são mediocres e sem re­lêvo.

– F I M –

Fonte:PARANHOS, Haroldo. História do romantismo no Brasil. São Paulo: Edições Cultura Brasileira, 1937

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