A renúncia do primeiro-ministro, George Papandreou, e a constituição de um novo governo de coalizão podem até minimizar o clima de desconfiança em torno da Grécia, contudo as perspectivas para o País ainda podem ser consideradas “sombrias”. A avaliação é da professora de macroeconomia do curso de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Cristina Helena de Pinto Mello. Em entrevista a Terra Magazine, ela enfatiza as dificuldades políticas associadas à questão, destacando ainda que as negociações da dívida grega vêm se arrastando, entre outros, em função do elevado custo do ajustamento imposto.

 

– O ajuste necessário ao equacionamento de sua dívida impõe custos sociais elevados. Diminuição no nível de atividade, crescimento do desemprego e empobrecimento serão resultados decorrentes das medidas. Como alternativa, a Grécia poderia negociar sua saída da Zona do Euro. Contudo, a recuperação da possibilidade de utilizar instrumentos de política monetária além dos instrumentos de política fiscal, e, consequentemente promover uma desvalorização monetária para corrigir o déficit em transações correntes traz consigo outros custos – analisa, ressaltando, entrento, que a Grécia deve “insistir em permanecer na Zona do Euro preferindo os custos do ajustamento enquanto estes forem politicamente toleráveis ou contornáveis”.

 

Para a professora, “aspectos políticos e operacionais tornam reais e concretas as possibilidades de contágio de contágio da crise através de diferentes mercados”.

 

– A fragmentação política, a lentidão em propor ou implementar soluções e a ausência de unicidade de interesses entre os países da região do Euro ampliam expectativas associadas à volatilidade do Euro. Os movimentos de capitais especulativos vêm encarecendo o custo de financiamento dos governos nacionais aumentando as possibilidades de contágio.

 

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