DA FOLHA:

Na sexta-feira passada, uma operação da Polícia Federal desencadeou operação para desarticular suposta organização que se infiltrou em diversos órgãos federais para a obtenção de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados.

A operação gerou uma nova crise no governo Dilma Rousseff, pois envolve integrantes da administração em suspeita de degenerescência. Relembre os casos que atingiram o governo desde a posse da presidente, no ano passado.

ROSEMARY NÓVOA DE NORONHA

Julia Moraes – 27.nov.2008/Folhapress
Ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Novóa de Noronha
Ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Novóa de Noronha

Uma das investigada da Operação Porto Seguro, Rosemary Nóvoa de Noronha era chefe do escritório da Presidência em São Paulo desde 2003. No dia seguinte da operação, ela foi demitida do cargo.

Entre 2007 e 2010, ela viajou com o então presidente Lula para 23 países, em virtude de pelo menos 30 eventos –de posses de presidentes a encontros de chefes de Estado.

Outro envolvido foi José Weber Holanda, braço direito do AGU (Advogado Geral da União) Luís Inácio Adams. Holanda também faria parte do esquema de venda de pareceres por órgãos federais. Após a operação da PF, além de exonerado, ele foi afastado dos conselhos que integrava.

O delator do esquema foi Cyonil da Cunha Borges. Ex-funcionário do TCU, Borges disse à PF ter sido procurado por um advogado para emitir pareceres técnicos favoráveis a uma empresa em troca de R$ 300 mil.

Após receber R$ 100 mil, o delator teria se arrependido e prestou depoimento à PF em São Paulo, em março de 2011, quando começaram as apurações.

IDELI SALVATTI

Alan Marques – 2.jul.2012/Folhapress
Ministrar Ideli Salvatti (Relações Institucionais)
Ministrar Ideli Salvatti (Relações Institucionais)

Outro caso que atingiu um membro do governo aconteceu em março deste ano com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Quando ela ocupava o Ministério da Pesca em 2009, foi assinada a compra de 28 lanchas da empresa Intech Boating.

Reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” relevou que o dono da empresa teria sido procurado por meio do ministério para doar R$ 150 mil ao PT de Santa Catarina na eleição de 2010.

Naquele ano, Ideli perdeu a disputa para o governo do Estado.

Em maio, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu arquivar a denúncia contra a ministra.

Convocada a se explicar na Câmara dos Deputados, a ministra negou qualquerenvolvimento com a empresa.

FERNANDO PIMENTEL

Alan Marques – 8.dez.2011/Folhapress
Ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento)
Ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento)

Em dezembro de 2011, uma crise envolveu o ministro Fernando Pimentel(Desenvolvimento), após a revelação de que ele prestou serviços de consultoria, que renderam R$ 2 milhões a ele entre 2009 e 2010.

A suspeita era de que tivesse havido tráfico de influência no trabalho. Em outubro deste ano, o trabalho foi considerado regular pelaComissão de Ética Pública da Presidência da República porque ele já havia terminado o mandato como prefeito de Belo Horizonte e ainda não havia assumido o comando do ministério.

O governo também não viu irregularidades em o ministro usar o avião do empresário João Dória Jr. para viajar da Bulgária para a Itália, outra acusação que surgiu na mesma época.

CARLOS LUPI

Grajaú de Fato
Então ministro, Carlos Lupi (PDT) desembarca de avião que "providenciado" por empresário
Então ministro, Carlos Lupi (PDT) desembarca de avião que “providenciado” por empresário

Em dezembro de 2011, Carlos Lupi (PDT)saiu do Ministério do Trabalho. A crise contra o ministro começou após reportagem da revista “Veja” no dia 9 de novembro informar o envolvimento de servidores e ex-servidores do ministério em um esquema de cobrança de propinas que revertia recursos para o caixa do PDT.

Após a reportagem, Lupi afastou um dos envolvidos e afirmou que só deixaria o governo “abatido por bala”. A presidente não gostou das declarações e ele seretratou logo depois.

No dia 12, uma nova publicação da “Veja” denunciou a utilização de avião contratado por um dono de uma rede de ONGs beneficiária de convênios de mais de R$ 10 milhões com o Ministério do Trabalho.

ORLANDO SILVA

Daniel Marenco -15.out.2011/Folhapress
Ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PC do B)
Ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PC do B)

Em outubro de 2011, Orlando Silva deixou o governo após acusações de ter participado de um suposto esquema de fraude no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. As suspeitas foram levantadas pelo policial militar João Dias Ferreira em entrevista a revista “Veja”.

Ferreira e seu motorista, Célio Soares Pereira, disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

A situação de Orlando se agravou após o STF (Supremo Tribunal Federal) iniciar investigações de um suposto envolvimento do ministro em fraudes na pasta. E após a Folha revelar que, em julho de 2006, Orlando assinou um despacho que reduziu o valor que a ONG do policial precisava gastar como contrapartida para receber verbas do governo, permitindo que o policial continuasse participando de um programa social do ministério.

Orlando Silva disputou neste ano uma vaga de vereador pelo PC do B em São Paulo e é oprimeiro suplente do partido. Ele pode assumir o cargo caso o vereador Netinho de Paula seja indicado para uma secretaria da administração Fernando Haddad em São Paulo.

PEDRO NOVAIS

Alan Marques – 23.ago.2011/Folhapress
Ex-ministro Pedro Novais
Ex-ministro do Turismo Pedro Novais (PMDB)

Em setembro de 2011, Pedro Novais saiu do Ministério do Turismo depois de duas revelações da Folha: a de que ele pagou com dinheiro público o salário de sua governanta por sete anos e a de que sua mulher usa irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular.

Ele já estava em situação delicada quando uma operação da Polícia Federal prendeu 35 pessoas, incluindo o então secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Costa.

Novais atualmente exerce o cargo do deputado federal.

WAGNER ROSSI

Sergio Lima – 10.ago.2011/Folhapress
Ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB)
Ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB)

Em agosto do ano passado, o então ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão, atingido por uma onda de acusações que apontou pagamento de propinas, influência de lobistas e aparelhamento político em sua gestão no ministério. Foi substituído por Mendes Ribeiro (PMDB).

Os inconvenientes do ministério começaram quando o ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar que havia “bandidos” no órgão e sugerir que Rossi participava de esquemas de degenerescência.

A situação do ministro se agravou após Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação da Agricultura, afirmar em entrevista à Folha que o Ministério da Agricultura foi “corrompido” após a chegada de Wagner Rossi à pasta.

Outra acusação que atingiu o ministro foi a revelação, pelo jornal “Correio Braziliense”, de que Rossi e um de seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), viajaram várias vezes em um jatinho pertencente a uma empresa de agronegócios. Ele admitiu ter pegado carona no avião.

Neste ano, o Ministério Público Federal também pediu o bloqueio de bens de Wagner Rossi por conta de um contrato fraudulento firmado com a Fundasp –fundação que mantém a PUC-SP–, durante o período em que ele esteve à frente do Ministério da Agricultura.

O bloqueio será usado para cobrar o ressarcimento de um desvio de R$ 3 milhões, segundo o Ministério Público. Em 2010, a fundação da PUC foi contratada por R$ 9,1 milhões para dar cursos aos funcionários do ministério.

Em agosto do ano passado, a Folha revelou que a tomada de preços foi fraudada. Foram usados documentos forjados com o timbre da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

ALFREDO NASCIMENTO

Alan Marques – 16.ago.2011/Folhapress
Ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR)
Ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR)

Em 6 de julho, foi a vez de Alfredo Nascimento (PR) se demitir dos Transportes, após ter seu nome envolvido em um escândalo de superfaturamento de obras e recebimento de propina envolvendo servidores e órgãos. Foi substituído porPaulo Sérgio Passos (PR).

A crise começou com revelação pela revista “Veja” de suposto esquema que envolvia dois assessores diretos do então ministro. O ex-diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, e o ex-diretor-presidente da Valec (estatal de obras ferroviárias), José Francisco das Neves, também foram citados.

Segundo a revista, o esquema seria coordenado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), e renderia ao partido até 5% do valor dos contratos firmados pela pasta e sob a gestão do Dnit e da Valec.

A crise se intensificou com reportagem do jornal “O Globo” revelando que o patrimônio do filho do ministro, Gustavo Morais Pereira, cresceu 86.500% em dois anos. O caso é investigado pelo Ministério Público Federal do Amazonas.

Hodiernamente, Nascimento exerce o cargo de senador e de presidente do PR.

ANTONIO PALOCCI

Sérgio Lima – 2.jun.2011/Folhapress
Ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci (PT)
Ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci (PT)

A primeira crise do governo Dilma aconteceu entre maio e junho de 2011 com a queda do ministro Antonio Palocci. Gleisi Hoffmann (PT-PR) substituiu Palocci.

Após 23 dias de crise, ele entregou o cargo depois de a Folha revelar que o ministro multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010, quando ele foi deputado federal e manteve, paralelamente, uma consultoria privada.

A Projeto, empresa aberta por Palocci em 2006 –quando afirmou ter patrimônio de R$ 356 mil– também comprou, em 2009 e 2010, imóveis em região nobre de São Paulo no valor total de R$ 7,5 milhões.

Em entrevista, Palocci afirmou que não revelou sua lista de clientes a Dilma, atribuiu as acusações a ele a uma “luta política” e disse que ninguém provou qualquer irregularidade na sua atuação com a consultoria Projeto.

Além de ter reaberto sua consultoria, Palocci participou de reuniões
com Lula e Dilma no escritório da Presidência em São Paulo.

Foi a segunda vez que Palocci deixou o governo após um escândalo –em 2006 deixou o Ministério da Fazenda após suspeitas de ter quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

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