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Os anos de JK – Uma Trajetória Política

Os anos JK – uma trajetória política

Grande sucesso de público, Os anos JK — uma trajetória política alcançou a impressionante marca de 800 mil espectadores e se tornou um dos documentários brasileiros de maior público de todos os tempos. Dirigido por Silvio Tendler, tem uma narrativa clássica e se vale de entrevistas, fotos, sons e imagens de arquivo para acompanhar a trajetória de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1975), desde a sua juventude na pequena Diamantina dos anos 1930, passando pela Presidência da República, entre 1956 e 1961, e chegando aos anos de exílio e à morte em um acidente de automóvel. Mais do que o retrato de um homem visionário, o longa-metragem traça um grande painel da vida política brasileira, suas lutas e seus entraves na busca pelo caminho da democracia, em um país cuja história sempre foi marcada por regimes de exceção.

Sobre a Sessão:

Quando: 16/11 Quarta Feira – às 20h

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito – Telefone: 3271 7914)

Quanto custa a entrada: GRATUITA

Classificação: LIVRE (traga sua família)

Sobre o Filme:

Em 1980, ano do lançamento de Os anos JK — uma trajetória política, a abertura lenta e gradual concebida por Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil do governo Geisel, já produzira diversos frutos, como a anistia e a volta ao país de diversos exilados políticos. Agonizava a ditadura militar instalada no país em 1964, contudo ainda não estava morta. Não se permitira ainda a volta das eleições diretas para a Presidência da República. E a memória do que era política estava severamente prejudicada por vários anos de censura.

Gênero consagrado dez anos depois, a partir da chamada Retomada do Cinema Brasileiro dos anos 1990, o documentário não desfrutava ainda nem de grande prestígio nem de maiores ambições.

O cineasta Silvio Tendler lavrou, assim, uma dupla façanha comeste longa-metragem, à época visto por um respeitável público de 800 mil espectadores. A primeira, recuperar a memória do personagem que tinha protagonizado a última transição democrática na presidência da história do Brasil até então. Civil e eleito diretamente, Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) passara o cargo a outro presidente eleito, Jânio Quadros, após ter cumprido integralmente seu mandato, em1961. Uma situação que só se repetiria com Fernando Henrique Cardoso, após dois mandatos, em 2003.

O mérito do filme não foi simplesmente a reunião de amplos materiais de arquivo, pesquisados em cinejornais, programas de rádio, jornais impressos e outras fontes, e sim passar em revista em profundidade a figura de um mito do passado num momento em que o país caminhava irresistivelmente para a democratização e buscava reinventar a própria política civil, associada como mero sinônimo de populismo ou degenerescência.

Outros acertos foram fugir às tentações de recair num modelo televisivo facilitador ou numa narrativa edificante, sacralizando o personagem. Utilizando a montagem (de Gilberto Santeiro e Francisco Sérgio Moreira) e o texto opinativo de Claudio Bojunga, o documentário decifra criticamente as ambigüidades de JK, identificado tanto como desenvolvimento industrial, dos transportes, da energia, da interiorização do progresso — cujo símbolo máximo foi a construção da nova capital, Brasília, em 1960 — quanto com vacilações e decisões discutíveis. Entre elas, sua submissão ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e o seu voto a favor, como senador que era na época, à eleição do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco pelo Congresso, em 1964, sendo este o primeiro presidente de um regime militar que rapidamente daria uma guinada extrema, cassando por dez anos os direitos políticos do próprio JK, que amargou o exílio.

Alternando méritos e fragilidades em seu raio X político e ideológico do chamado “Presidente Bossa Nova” — a trilha sonora de um período de grande vitalidade cultural —, Tendler firmou sua marca como autor de documentários históricos, que finalmente o tornaram conhecido como “cineasta dos sonhos interrompidos”, expressão cunhada por Arnaldo Carrilho. Definição sob medida, já que, logo a seguir, dedicou-se a tarefa semelhante no perfil do presidente civil deposto pelos militares em 1964 em seu trabalho Jango(1984) — ano da Campanha das Diretas —, e que foi visto por 1 milhão de espectadores.

*Neusa Barbosa é crítica de cinema desde 1990, editora do site Cineweb e colaboradora da revista Bravo. Autora dos livros Gente de cinema – Woody Allen, John Herbert – Um gentleman no palco e na vida, Rodolfo Nanni – Um realizador persistente e Fernanda Montenegro no prelo.


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