foto/divulgação:

O Prisioneiro e a Grade de Ferro

Filme: O Prisioneiro e a Grade de Ferro

Quando: 25/04/2012 – Quarta Feira

Horário: 19h

Classificação: 16 anos

Onde: Auditório da Bilbioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito – 3271 7914)

 

O Filme:

Em uma cena de O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-Retratos), Dennison Ramalho, aqui assistente de direção, empresta uma câmera a um detento pela estreita escotilha do “Amarelo”, uma das cerradíssimas celas de segurança máxima do complexo carcerário do Carandiru. Fica claro, aqui, que a equipe de filmagem consegue ir até certo ponto (o mais profundo, aliás, que alguém de fora dali já conseguiu chegar) e a mini DV é quem segue adiante, sem limites, operada pelos detentos e tendo um acesso mais íntimo àquele dramático espaço.

À parte essa liberdade suprema da câmera, é seu empréstimo que se faz emblemático neste documentário. É com ele que o diretor Paulo Sacramento dilui sua autoridade como diretor e autor do longa, repartindo o controle com os presos durante as filmagens. Um gesto raro num documentarismo que, de praxe, é feito para justificar teses previamente concebidas. Sacramento e sua equipe chegam ao Carandiru sem uma verdade pronta e tampouco pretendendo encontrá-la. Não há, também, nenhuma intenção de se desenhar um painel que junte as várias verdades dos presidiários. É mais uma experiência coletiva, sob a coordenação de Sacramento e sua equipe – tanto que foi ele, mais a montadora, Idê Lacreta, que editaram o material de 170 horas.

Os workshops que precederam os sete meses de filmagens, em 2001, também justificam esse trabalho em grupo, e a evidência dessa parceria se dá na imagem: não há distinção visual entre o material filmado pelo fotógrafo Aloysio Raulino e aquele filmado pelos presidiários. Mesmo os sons, ruídos e músicas foram captados ali e editados fora da casa de detenção.

Esse livre trânsito cruzando a muralha do presídio é fruto de uma confiança mútua que se fez fundamental para que O Prisioneiro da Grade de Ferro desse conta do seu projeto, que é captar o cotidiano desses homens órfãos de liberdade.

Neste reality show, são os presos que se expressam, libertos do típico determinismo dos noticiários. Nesse passeio íntimo, o filme de Sacramento descobre semelhanças entre o mundo do Carandiru e o que está para além de suas muralhas. As desigualdades entre a “periferia” (as selas do “Amarelo”, superlotadas e mantendo os criminosos em condições animais) e os cárceres enfeitados com televisão. As atividades corriqueiras, como lavar o chão, jogar futebol, fazer compras, passar pelo médico, sonhar pela grade do xilindró com a alegria de fogos de artifício que estouram no horizonte. Nada mais verdadeiro sobre os prisioneiros do que mostrá-los em suas atividades mais corriqueiras, criando vida naquele terreno de morte da Casa de Detenção.

E ao dar a esses homens imagens que lhes servem mais como espelhos, “auto-retratos”, o filme os recoloca na memória – eles que, removidos do local, tiveram a desgraça apagada do imaginário coletivo quando o presídio foi desativado e destruído, em 2002. Por isso a primeira seqüência, a da implosão do Carandiru mostrada de trás para frente, com os pavilhões levantando-se dos seus escombros. O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-Retratos) devolve a existência a esses homens através da imagem.


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