foto/divulgação:

Cinema

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho

Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito – Fone 3271 7914

Sessão para Crianças e Adolescentes – Adolescer

Horários:

1ª Sessão às 09:30

2ª Sessão às 14:30

 

Filmes da Sessão:

 

A descoberta do amor, o fim da infância e os dilemas da adolescência. As perguntas eternas dessa fase da vida pulsam nestes filmes sintonizados com as crianças e os jovens brasileiros de hoje: Quem sou eu, afinal? Como lidar com tantos novos desafios? E se eu tiver de ir contra a maré para ser fiel a mim mesmo? Em Camila e o espelho, a passagem de menina para moça chega junto com o primeiro amor.

O primeiro beijo, a amizade e o turbilhão de novas emoções estão também em Eu não sei andar de bicicleta e O coração às vezes para de bater. Em Nuvens, uma menina que vende balas na rua encontra na amizade pequenas brechas de luz e esperança. A coragem dos jovens para ir contra o que está errado é o tema de A menina do mar, e também de Zica e os camaleões, no qual uma jovem roqueira com fama de nerd luta pelo direito de ser quem é. Uma sessão de cinema para comover, divertir e fazer pensar!

 

Sessão para Jovens e Adultos

Sessão: Medo e Suspense – Classificação 16 anos

Horários:

Única Sessão às 19:00

Filmes da Sessão:

O cinema desse tipo de gênero sempre padeceu preconceito no Brasil, não só dentro da mídia especializada, contudo também de boa parte do público, que considera sua produção precária e mal-feita. Esse programa pretende desmentir esses prejulgamentos, com seis produções que impressionam pelo apuro estético e pelo acabamento impecável. Nada recomendado pra quem se assunta com facilidade, ou perde o sono com imagens perturbadoras.

Crítica:

A Herança do Experimental Visual.
Paulo Santos Lima

Se o terror e o suspense são gêneros que não tiveram grande freqüência na história do cinema brasileiro, por outro lado a sua contribuição estética foi tão digna quanto as experiências modernas realizadas durante os anos 60 e 70. Basta o exemplo de seu mais célebre autor. José Mojica Marins, que em 1964 lança o mítico personagem Zé do Caixão, em À Meia-Noite Levarei a Sua Alma. O viés vanguardista deste gênero também se justificaria quando, em 1968, Mojica se juntou a Luis Sérgio Person e Ozualdo Candeias para rodas Trilogia do Terror.

Com tal herança histórica, a produção recente segue um caminho semelhante no experimentalismo visual. Nos seis curtas do programa Medo e Suspense, nem tanto as histórias, algumas inenarráveis, contudo a malha visual é que se faz marcante, assim como o diálogo com outros longas da história do cinema mundial.

Em Nocturnu (1998), o cineasta gaúcho Denninson Ramalho faz um rigoroso trabalho de geometria nos enquadramentos e de grande fluxo de planos produzido pela montagem. Além de Mojica, o clássico Nosferatu, de Murnau, é um dos nortes deste filme fundamentalmente visual, sem diálogos, e que pega emprestado trechos do dinamarquês Haxan (1922), de Benjamim Christensen.

Já a Menina do Algodão (2002), dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira, é um casamento entre filme de horror, documentário, comédia e história infantil, com resultado notáveis. O curta começa e termina com dados “reais” sobre a lenda urbana de uma menina que aterroriza crianças nos banheiros públicos. A câmera acompanhará uma das vítimas pelo espaço sombrio de um colégio vazio.

Rodado na terra de Humberto Mauro, Cataguases, Wragda (2004), de Frederico Cardoso, também junta à célula do terror algo de documental, ainda que o foco seja o de um experimentalismo que não se importa em ser enigmático. Pelo contrário. Desde a primeira seqüência, a idéia é criar sensações.

Com fio narrativo mais saliente, Tropel (2000), do fluminense Eduardo Nunes, fala sobre um açougueiro que enlouquece quando sua amada está noiva. O filme explora o ambiente do açougue, apresentando-o num plano-seqüência em câmera fixa, do alto, e depois retalhado (como uma carne) em várias cenas mais curtas.

Utilizando uma iconografia e simbolismos bem específicos, o paulistano Carlos Gananian traz em Behemoth (2003), sua visão do lendário monstro do mal. Adotando um visual entre o terror norte-americano de um Hellraiser e os quadrinhos, ele apresenta a gênese da imagem presente no imaginário nórdico.

Já o cineasta Christian Saghaard aproxima-se de uma abordagem mais pessoal, mais ligada à geografia da cidade onde vive, São Paulo, com suas ruas, seus bordéis e seus tipos urbanos, em Demônios (2003). As bestas, aqui invisíveis e notavelmente traduzidas pelos movimentos de uma câmera que percorre os espaços, não são ameaças exteriores, contudo sim os próprios humanos. O conjunto de imagens e sons cria uma sensação de mal-estar, de fobia social. Este é também o título mais político da seleção Medo e Suspense.


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