foto/divulgação: Sí­lvio Sousa

Samba e bossa-nova: música do Brasil

Quem faz a música popular brasileira? São poetas, malandros, guerreiros, amantes, palhaços e colombinas. Saem dos cortiços, morros e arranha-céus, chegam de jangada nas praias, comem mocotó e feijoada, desembarcam no aeroporto de Paris.

 

Os sete documentários reunidos nesta compilação mostram o dia-a-dia, as apresentações, gravações e entrevistas em deliciosos registros dessa grande paixão brasileira. Partindo do samba de Pixinguinha, Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, passando por Martinho da Vila e João Nogueira, com um breque na bossa nova de João Gilberto, avança até a MPB de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Nara Leão e Jards Macalé. Um programa para ver cantando e entoar: “Venha a mim, oh, música”!

 

Quando: 24/10/2012 Quarta Feira

Horárrio da Sessão: 19h

Onde: Auditório da Biblioteca M. Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1160 – Estreito – 3271 7914)

Classificação 12 anos

Entrada Gratuita

 

Filmes da Sessão:

Sobre a Sessão: 

A riqueza do patrimônio musical brasileiro, em especial o samba e a bossa nova, é o mote temático deste programa, que reúne sete curtas-metragens, realizados entre 1965 e 2006.

Em Brasil (1981), Rogério Sganzerla documenta os bastidores da gravação do disco homônimo de João Gilberto, que contou com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Paralelamente, o diretor organiza um caleidoscópio de imagens, que incluem a passagem de Orson Welles pelo Brasil para as filmagens do inacabado It’s All True, além de performances de artistas como Grande Otelo, Ary Barroso, Dorival Caymmi e Eros Volúsia. Um genial rascunho para os três longas que Sganzerla depois dedicaria à frustrada experiência de Welles no país, Nem tudo é verdade (1986), Tudo é Brasil (1998) e O signo do caos (2003).

Álbum de música (1974), de Sérgio Sanz, retrata o “saudável caos” da música popular brasileira na primeira metade da década de 1970. Conduzido pelo jornalista Nelson Motta, o espectador vê desfilar diante da câmera um notável elenco de personalidades da MPB, em registros raros.

Carioca, suburbano, mulato, malandro – João Nogueira (1979), de Jom Tob Azulay, traça um perfil do popular sambista João Nogueira, falecido em 2000. O diretor acompanha Nogueira em rodas de samba regadas a cerveja e mocotó e a visitas a músicos da velha guarda da Portela, sua escola do coração, além de registrar a gravação em estúdio do clássico samba “Súplica”. Um valioso documento sobre um compositor sofisticado, cuja contribuição para a música popular brasileira ainda está para ser devidamente reconhecida.

Heitor dos Prazeres (1965), de Antônio Carlos da Fontoura, mostra a grande arte do pintor e compositor, autor de clássicos como “Pierrô Apaixonado” e de telas que registraram o colorido do carnaval carioca. Em seu ateliê na Praça Onze, elegante como um dândi, o artista relembra seu passado. Realizado um ano antes da morte de Heitor, o curta foi fotografado por Affonso Beato, que reproduz as cores exuberantes das telas do artista com a mesma maestria mais tarde colocada a serviço do diretor espanhol Pedro Almodóvar.

Martinho da Vila Paris 1977 (1977), de Ari Candido Fernandes, documenta uma viagem do cantor e compositor Martinho da Vila à capital francesa. A invasão do samba brasileiro ao Quartier Latin é mostrada através de imagens e depoimentos saborosos de Martinho, neste curta que tem sua montagem assinada pelo crítico de cinema Inácio Araújo.

Em Noel por Noel (1981), Rogério Sganzerla presta tributo ao grande compositor da Vila Isabel, falecido com apenas 26 anos de idade. A meteórica carreira de Noel é condensada ao longo de 10 minutos por Sganzerla, que exercita sua montagem dialética organizando documentos, fotos, manuscritos e imagens da musa do compositor, Ceci. Um belo ensaio para o longa que Sganzerla sempre sonhou em dirigir sobre Noel, e acabou morrendo sem concretizar.

O programa encerra-se com Pixinguinha e a velha guarda do samba (2006), de Ricardo Elias e Thomaz Farkas. O curta traz um raro registro de Pixinguinha, feito pelo próprio Farkas durante uma apresentação do grande compositor realizada em São Paulo, em abril de 1954, no Parque do Ibirapuera. Com a colaboração de Ricardo Dias, Farkas recupera esse material e relembra o dia em que filmou, absolutamente por acaso, esse mestre da música popular brasileira em ação.

 



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