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Dia Internacional das Mulheres

SESSÃO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Coloninha – Telefone 3271 7914)

Quando: dia 07 de março de 2012 – Quarta Feira

Horário: às 19h

Classificação: 14 ANOS

 

 

 

 

 

Filmes da Sessão:      

 

Pagu, Leila Diniz e Maria Gladys: três musas que, para além do talento, assumiram atitudes controversas que escandalizaram a sociedade conservadora de suas épocas. Nos três filmes que integram este programa está ausente a estrutura narrativa e burocrática que se espera de biografias. As vidas dessas mulheres são narradas da forma como imaginamos suas personalidades – com inquietude, desafio, ambição e inconformismo.

Todas elas assumiram posicionamentos políticos e sociais muito claros, geralmente contra os preconceitos de uma sociedade machista, autoritária e violenta. Dois dos curtas-metragens homenageiam mulheres de um passado recente que convém não ser esquecido: Eh Pagu, Eh!, de Ivo Branco, e Leila para sempre Diniz, de Mariza Leão e Sérgio Rezende. O belo média-metragem Vida, de Paula Gaitán, faz uma homenagem em vida a Maria Gladys que, com a participação da própria atriz, constrói uma biografia intima e repleta de confissões poéticas.

Crítica

Mulheres do Brasil

Marcus Mello*

Os filmes reunidos neste programa documentam a trajetória de três importantes personalidades da cultura brasileira, que têm em comum entre si o fato de serem mulheres de comportamento pouco convencional: a escritora Patrícia Galvão e as atrizes Leila Diniz e Maria Gladys.
Leila para sempre Diniz, de Mariza Leão e Sérgio Rezende, é o título mais antigo do programa. Realizado em 1975, este curta-metragem é uma apaixonada declaração de amor a Leila Diniz (1945-1972), musa de Ipanema e mito de uma geração. Através de imagens de arquivo e depoimentos de amigos de Leila (como o cineasta Luiz Carlos Lacerda e a atriz e cineasta Ana Maria Magalhães), a dupla de diretores consegue resumir os principais momentos da breve contudo intensa vida da inesquecível estrela de Todas as mulheres do mundo. Belamente fotografado por Murilo Salles e Luís Carlos Saldanha, o filme tem trilha sonora assinada por Milton Nascimento.
Eh Pagu, Eh! está inserido em um momento – os primeiros anos da década de 1980 – que viu acontecer o resgate da memória da escritora modernista Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), até então mergulhada em relativo ostracismo. Na mesma época, Pagu teve sua primeira biografia publicada por Augusto de Campos (Pagu: Vida-Obra), seus livros foram reeditados e um segundo filme logo chegaria às telas, o longa-metragem Eternamente Pagu (1987), de Norma Bengell, protagonizado por Carla Camuratti. Neste curta, o diretor Ivo Branco recorre ao docudrama, formato raramente praticado no Brasil, para oferecer um generoso retrato da autora de Parque Industrial, considerado o primeiro romance proletário da literatura brasileira. Além de um rico material de arquivo, com inúmeras fotos e trechos de filmes, o filme inclui sequências em que Pagu é interpretada pela atriz Edith Siqueira.
O programa encerra-se com Vida (2008), documentário sobre Maria Gladys. A atriz – ícone do cinema brasileiro graças a sua participação em filmes como Os fuzis, O anjo nasceu e Sem essa, aranha – é pretexto para a diretora Paula Gaitán dar continuidade à sua exploração das possibilidades poéticas do gênero documental.

A exemplo do que já havia feito em Diário de Sintra (2007), seu filme anterior sobre os últimos dias de vida de Glauber Rocha, Gaitán está mais preocupada em criar imagens e atmosferas capazes de traduzir a essência de seus retratados de forma menos óbvia. Vida evita o excesso de depoimentos e usa imagens de arquivo com parcimônia, preferindo recuperar a trajetória de Gladys nas marcas de seu rosto de mulher madura ou nos movimentos de seu corpo em distintas situações performáticas.

Assim, a leitura de um poema homoerótico de Antônio Cícero ou a dança com a filha em um grande salão vazio (evocando uma das sequências antológicas de Sem essa, aranha) terminam sendo elementos muito mais reveladores da personalidade da atriz do que a mera enumeração de episódios de sua carreira.
Um aspecto que merece ser sublinhado é a afinidade entre o filme de Paula Gaitán e outro documentário brasileiro recente, o celebrado Santiago (2007). Além de compartilharem um sentimento de melancolia pelo tempo passado, ambos se colocam diante do espectador como obras em processo.

Ao fazer sua personagem repetir determinado texto seguidas vezes, como João Moreira Salles fizera com o mordomo de sua família, ou a aparecer em cena, Paula Gaitán também está falando de si e de seus procedimentos criativos. Nesse sentido, a imagem da cortina vermelha esvoaçante, cujo movimento vai desvelando antigas fotos de Maria Gladys na parede, mostra-se aqui um leitmotiv bastante apropriado.

Crítico de cinema gaúcho, é editor da revista Teorema (RS) e colaborador das revistas Aplauso (RS) e Cinética (RJ). Programador da Sala P. F. Gastal, cinema mantido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.


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