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Selo foi aprovado em reunião do Grupo Articulador’€“ 150 Anos de Nascimento de Cruz e Sousa

Com o objetivo de prestar homenagem a Cruz e Sousa,  a Prefeitura da Capital  criou um selo e um carimbo para marcar os 150 anos de nascimento  do poeta simbolista.  A solenidade de lançamento do material postal será realizada no próximo dia 24 de novembro, no Palácio Cruz e Sousa, às 18h30, dia em que nascia na Antiga Desterro, no ano de 1861, uma das maiores expressões literárias do país.

 

O selo foi produzido pela Empresa de Correios e Telégrafos e será utilizado nas correspondências da Secretaria Municipal de Educação, além de ser destinado para uso didático nas unidades de ensino da Capital. Contém uma imagem de domínio público, que retrata a paisagem urbana de Florianópolis, então Desterro, em 1868. A autoria é de Joseph Bruggemann. Em sobreposto há a imagem da face de Cruz e Sousa. O projeto foi apresentando e apreciado na Associação Catarinense de Filatelia e na Diretoria dos Correios em Santa Catarina, e foi aprovado pelo Grupo Articulador – 150 Anos de Nascimento de Cruz e Sousa, composta por várias entidades.

 

Já o carimbo teve a arte produzida pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. O material permanecerá por 30 dias na agência dos Correios, localizada na Praça XV de novembro, conforme critérios do Conselho Nacional de Filatelia,  e será  utilizado em todas as correspondências desta agência de 24 de novembro a 24 de dezembro. Após este período, será remetido a Brasília para compor o acervo filatélico nacional. A SME realizou a aquisição de seis réplicas do carimbo, destinadas a autoridades e instituições.

 

Cruz e Sousa

 

O mestre do simbolismo no Brasil nasceu em Desterro, em 24 de novembro de 1861, com o nome de João da Cruz. Negro, filho dos escravos alforriados Guilherme da Cruz e Carolina Eva Conceição, foi educado com zelo e esforço pelos pais, contando com apoio dos ex-senhores da família, o Marechal Guilherme Xavier de Sousa e sua esposa Clarinda. O casal, que não tinha filhos, ajudou na educação do menino e deu a ele o sobrenome.

 

Cruz e Sousa estudou no Ateneu Provincial Catarinense e, ainda jovem, aprendeu francês, latim e grego, dedicando-se também à matemática e às ciências naturais. Aos 20 anos ingressou no jornalismo e fundou pequenos jornais como o Colombo, O Moleque e a Tribuna Popular, junto com o escritor e amigo Virgílio Várzea, com quem publicou também o primeiro livro, em 1885, Tropos e Fantasias.

 

Enfrentando dificuldades financeiras, padecimentos familiares e o preconceito da sociedade, o Cisne Negro (como era conhecido no meio literário) viveu uma espécie de exílio em sua terra natal.  Negro numa sociedade escravocrata, o escritor catarinense foi incompreendido por seus versos simbolistas e pela poética que o colocou ao lado da vanguarda francesa. Por sua obra inovadora foi rejeitado pela Academia Brasileira de Letras, além de ter sido muitas vezes acusado de indiferença à escravidão e de ter vergonha de ser negro. Por sua origem, foi recusado para ocupar o posto de promotor na província de Laguna.

 

Engajado nas lutas de seu tempo, e militando contra a escravatura, em favor do abolicionismo, Cruz e Sousa escreveu diversos artigos e poesias, e atuou em inúmeros jornais brasileiros, especialmente do Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1890. Em fevereiro de 1893, publicou Missal (prosa poética) e no mesmo ano, em agosto, divulgou Broquéis (poesia), deflagrando o Simbolismo no Brasil e liderando um movimento de renovação literária que se estendeu até 1922.

 

Casado com Gavita Rosa Gonçalves, também negra, teve com ela quatro filhos, que morreram cedo vítimas da tuberculose. A doença também vitimou o escritor levando-o à morte em Minas Gerais, aos 36 anos de idade, em 19 de março de 1898. Com a publicação póstuma de várias obras de sua autoria, como os livros Evocações (1898, prosa), Faróis (1900, poesia) e Últimos Sonetos (1905, poesia), o poeta negro conquistou enfim o reconhecimento por sua poesia universal.

 

O corpo de Cruz e Sousa foi transportado para o Rio de Janeiro num vagão utilizado para o transporte de animais. O enterro, realizado no Cemitério de São Francisco Xavier, contou com a presença de poucos amigos, como José do Patrocínio, um dos destaques dos movimentos abolicionista e republicano. Em 2007, os restos mortais do escritor foram trasladados pelo Governo de Santa Catarina e estão hoje depositados no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, no “coração de Florianópolis”.

 

 Serviço:

 

O Quê: Lançamento do Selo e Carimbo de Cruz e Sousa – 150 anos

 

Quando: quinta-feira (24/11) – 18h30

 

Onde: Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa

          Praça XV de Novembro nº 227 – Centro

 

Quanto: entrada franca

 

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação


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