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Trailer de Macunaíma

MACUNAÍMA

Com a adaptação da rapsódia de Mário de Andrade, Macunaíma inova a estética do movimento cinemanovista ao incorporar elementos da chanchada, através da atuação de Grande Otelo, e transfigurar fatos da vida política, que invadem o relato épico das andanças de seu protagonista entre figuras da mitologia popular brasileira. Filme emblemático do final da década de 1960, Macunaíma atualiza o legado do Modernismo e estabelece a tão buscada relação do Cinema Novo com o grande público.

Sobre a Sessão:

Quando: 30/11 Quarta Feira – às 20h

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito – Telefone: 3271 7914)

Quanto custa a entrada: GRATUITA

Classificação: 12 ANOS

Sobre o Filme:

Não há como evitar o riso logo na primeira imagem projetada por Macunaíma, a adaptação realizada por Joaquim Pedro de Andrade em 1969 para o homônimo romance Modernista escrito por Mário de Andrade em 1928. É um riso que vem pelo absurdo da situação mostrada, com Paulo José aos berros, travestido como uma velha a parir o bebê Grande Otelo; e é um riso que encontra mais fôlego no despojamento das relações entre si e com o universo que cerca os personagens brasileiros em foco no filme.

Quatro décadas separam a obra literária da cinematográfica e cada uma, a seu modo e em seu terreno de funcionamento, quebrou paradigmas narrativos e discursivos. Se no romance Mário de Andrade chamava a atenção para as raízes do Brasil e seu folclore, tentando imitar na escrita o modo de falar e os provérbios do brasileiro (?sonhei que caía meu dente, é morte de parente?) e assim desvinculando-se do Romantismo, o filme de Joaquim Pedro é reconhecido como um dos derradeiros representantes do Cinema Novo, contudo utilizando-se de concepções estética rejeitadas pelo movimento e com características mais próximas da Chanchada. O humor é seu bastião maior para sugerir uma reflexão sobre a realidade brasileira.

O resultado foi espetacular. Macunaíma foi considerado por muitos (crítica e público) o melhor filme brasileiro de 1969. Além de eleito melhor filme no Festival de Mar del Plata e de Brasília (onde arrebatou também os troféus Candangos de cenografia, figurino e melhor ator para Grande Otelo e coadjuvante para Jardel Filho), a obra ficou por quase um ano em cartaz circulando pelo País, levando multidões aos cinemas.

A popularidade vinha pelas gargalhadas e as gargalhadas vinham pela identificação com o ?herói de nossa gente? e suas presepadas. É um Macunaíma negro (Grande Otelo), que pula de felicidade ao ficar branco (Paulo José) quando passa por uma fonte milagrosa, e cujo expressão preferida é ?Ai, que preguiça!?. O ?nosso herói? é um sem caráter que adora dinheiro e as sem-vergonhices do sexo, além de sua rede (não necessariamente nesta ordem).

Sob uma trilha sonora que oferece de Francisco Alves e Silvio Caldas até Roberto Carlos e Jorge Ben, e apoiado por um elenco estupendo, orientado para encontrar na extravagância da caricatura a expressão adequada a compor está fábula, Joaquim Pedro consegue criar uma atmosfera única no cinema nacional. Fala do Brasil e do brasileiro fazendo-o rir de sua moral, virtude e vício.

Seja quando Macunaíma é perseguido pelo Curupira a gritar ?carne da minha perna?; seja no discurso em praça pública num ?feriado inventado? ? quando nosso herói se rebela dizendo que o símbolo do Brasil não são as estrelas do Cruzeiro do Sul, contudo sim o futebol, o maruím, a muriçoca, a frieira e a espinhela-caída ?; ou seja ainda no candomblé, através do qual se vinga do burguês antropofágico Venceslau Pietro Pietra (Jardel Filho), é o Brasil que está a desfilar na nossa frente em sua forma mais autêntica e corajosa.


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