foto/divulgação: Silvio Sousa

Filme: O Prí­ncipe

Quando: 26/06/2012 Quarta Feira

Horário: 19h

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua Joã Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito – 3271 7914)

 

Classificação: 14 anos

 

Filme: O PRÍNCIPE

 

No plano inicial de O príncipe, Gustavo (Eduardo Tornaghi) está em um táxi a caminho da casa onde vivera no bairro da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Depois de 20 anos de exílio autoimposto na França, ele volta para visitar a mãe, parentes e amigos. Pontuada por bares e restaurantes, essa via tornou-se uma referência na noite paulistana a partir do fim dos anos 1990. Movimentada pelo tráfego de carros e pessoas, contrasta com a calmaria dos anos 1970, quando a contracultura se instalou na região.

 

Confuso e surpreso com tanta movimentação, Gustavo pergunta ao taxista: “Tem certeza que essa é mesmo a [rua] Mourato Coelho?”. Essa sensação de estranhamento dá o tom e estabelece alguns conceitos fundamentais para entender o ponto de vista de Ugo Giorgetti em O príncipe. O personagem volta para visitar um parente que está com graves inconvenientes de saúde. E reencontra um país transestabelecido, o que era de se esperar. Mas também reencontra pessoas que parecem guardar muito pouco daquilo que eram – com raríssimas exceções.

 

Gustavo inicia o périplo. Entre os amigos que visita, alguns mudaram da água para o vinho, outros parecem imobilizados pela nostalgia. No primeiro grupo está o personagem de Ewerton de Castro, um antigo companheiro de militância política que o tempo transformou em “consultor”. No segundo grupo, o interessante personagem de Otávio Augusto, Renato, um veterano jornalista boêmio, companheiro de botecos e discussões inflamadas. Preso a uma cadeira de rodas, ele é a imagem de muitos nostálgicos: envelhecido, contudo tristemente saudoso de uma época que não volta mais.

 

Não por acaso, uma das melhores e mais emblemáticas cenas do filme é aquela em que Renato, na cadeira de rodas empurrada por Gustavo, faz um discurso melancólico diante do local onde ficava o mítico Paribar, ponto de encontro da intelectualidade paulistana nos anos 1970. Em meio à praça Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, era um local onde se respirava vitalidade numa São Paulo menor e menos agressiva do que a de hoje.

 

Há ainda o personagem de Ricardo Blat, um professor de história acometido por uma crise nervosa. Ele é a principal razão pela qual Gustavo volta da França. Na visita que faz ao sobrinho, ouve dele, em momento de delírio, a proposta de criar uma História paralela, em que as verdadeiras revoluções são vencidas. É uma referência a nossa própria História, a do Brasil, feita por sucessivas derrotas. É um exagero que transborda a ideia central do filme, de que as transformações vividas na época – início dos anos 2000 – apontavam para um caminho mais pragmático do que de transconstituição e crescimento.

 


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