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Amor

“Amar se aprende amando”, livro de Carlos Drummond de Andrade, poderia ser o título do programa constituído por Amores, de Domingos de Oliveira, e Amar…, de Carlos Gregório. Amores é uma crônica dos costumes amorosos e conflitos familiares da classe média urbana nos anos 90, captada por uma câmera solta, comprometida com o retrato da instabilidade dos relacionamentos. Uma abordagem das transformações comportamentais da época: o desejo de família num momento em que o meio tende a fragilizá-la, as vicissitudes e separações amorosas. Amar… desenvolve a idéia de João que ama Maria, que ama outra pessoa, num diálogo evidente com o poema ?Quadrilha? de Drummond.

 

Quando: 15/08/2012 – quarta feira

Horário: 19h

Classificação: 14 anos

Onde: Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho (Rua João Evangelista da Costa, 1.160 – Estreito, Fone 48 3271 7914)

 

Sobre a Sessão:

 

Um convite à reflexão sobre as relações humanas
Glênio Nicola Póvoras

Depois de duas décadas afastado da direção em cinema, Domingos Oliveira volta com Amores e imprime um retrato das relações afetivas do final do século XX. O roteiro é baseado na peça homônima escrita por ele, em colaboração com Priscilla Rozenbaum, e encenada no Teatro Planetário, bairro da Gávea, Rio de Janeiro, em 1996. Pelas duas montagens (peça e filme) os dois ganharam respectivamente o prêmio Shell de melhor autoria carioca de 1996 e o prêmio de melhor roteiro da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1999. Domingos vai repetir o feito com Separações, peça (2000) e filme (2002). Os roteiros destas peças estão publicados no livro “Domingos Oliveira Melhor Teatro” (São Paulo, Global, 2004).

Tudo funciona em Amores. As qualidades são muitas. A escolha certa dos atores, as locações “reais”, o modo de filmar, uma câmera sempre muito próxima, íntima dos personagens. Há uma dinâmica de dizer o texto pelos atores pouco vista no cinema brasileiro, com naturalidade e expressividade. Domingos sabe o que quer e sabe como fazer.

São seis personagens na peça e no filme: Vieira (o próprio Domingos); sua filha Cíntia, de 23 anos (Maria Mariana, sua filha na vida real); as irmãs Telma e Luíza; Pedro, marido de Telma; e Rafael, paixão repentina de Luiza. A estrutura é a mesma, em três atos, sendo que no último os personagens dão longos depoimentos sobre o rumo de suas vidas, falam para a câmera, para nós espectadores, nos tornando cúmplices. Nesse ponto, Amores confirma sua vocação de quase-documentário sobre estas pessoas e seu ambiente. Vieira é um escritor em crise, renovando seu contrato de 17 anos com a TV Globo. Cíntia se envolve com Pedro, marido de Telma, melhor amiga de Vieira. Pedro e Telma vinham tentando ter um filho. Quem fica grávida é Cintia (de Pedro). Todos ficam chocados. Luíza é uma atriz que conta piadas em bares noturnos, apaixonada por um pintor bissexual soropositivo; mais adiante, se envolverá com outro bissexual. Esse mosaico dá conta de muitas reflexões sobre as relações entre as pessoas; oferece um estágio da evolução do amadurecimento (ou não) dessas relações. Fala de um tempo de muitas liberdades, contudo com personagens extremamente humanos simplesmente tentando… viver o mais dignamente possível. Tudo dá certo por que Domingos está falando de algo que conhece muito bem: a vida, a sua vida. Ele tem sido autobiográfico desde o seu primeiro filme Todas as Mulheres do Mundo (1966).

Acompanha esta edição o curta-metragem Amar…, estréia de Carlos Gregório na direção, depois de longa trajetória como ator em teatro, cinema e TV. Amar… é também um registro das relações amorosas do final do século, onde o telefone é peça fundamental de comunicação. Além da fala final adaptada do poema “Amar-amaro”, outro poema de Carlos Drummond de Andrade, “Quadrilha”, é referência direta na construção da narrativa.


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