Uma estrutura que enfrenta, atualmente, forte crescimento na demanda de atendimento de dependentes químicos, especialmente em consequência da utilização do crack e do álcool, é o que vai encontrar os deputados e senadores integrantes da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas da Câmara Federal ao visitarem, às 11h30 desta sexta-feira (10), o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS AD da capital. Único neste tipo de tratamento em Teresina, o CAPS é administrado pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

A comitiva, formada por 34 deputados federais, incluindo os piauienses Marllos Sampaio e Iracema Portella, além de seis senadores convidados, está em visita pelos estados de Alagoas e Piauí para conhecer de perto as comunidades terapêuticas que trabalham na recuperação de dependentes químicos. Em Teresina os parlamentares agendaram visitas ao hospital estadual, que trata desse segmento e ao CAPS AD, além da Fazenda da Paz.

“No CAPS AD, os parlamentares poderão constatar o que chamamos de ‘superlotação’ no atendimento pelo grande crescimento de demanda verificado nos últimos anos, e a utilização do crack vem tendo um avanço significativo nestes últimos meses, igualando-se e até ultrapassando o alcoolismo, que respondia pela grande maioria dos usuários deste Centro”, ressalta o coordenador do Centro, Mauro Passamane.

De acordo com o coordenador, o CAPS AD tem hoje 3.800 usuários cadastrados e um levantamento está sendo realizado para calcular o avanço no crescimento de dependentes do crack, do álcool e outras drogas. “Nossa equipe atende, em média, de 300 a 350 usuários por mês. Agora, há dias em que recebemos 220 pessoas procurando ajuda de forma espontânea, trazidos pela família ou encaminhados pela Estratégia Saúde da Família, hospitais psiquiátricos e até de outros municípios”, revela o psiquiatra.

A equipe do CAPS AD é formada por 27 profissionais de nível superior e médio, mantidos pela Prefeitura de Teresina, incluindo dois enfermeiros, dois assistentes sociais, dois clínicos, dois terapeutas ocupacionais, um educador físico, dois psicólogos e dois psiquiatras, além de auxiliares, técnicos e pessoal administrativo.

 “Houve um crescimento muito forte de pacientes na faixa etária de 18 a 40 anos, principalmente em consequência do crack. Entre os de idade mais avançada, o alcoolismo é a principal causa da dependência”, explica Passamane, acrescentando que o tratamento é baseado na motivação.

A enfermeira Geórgia Ribeiro, da direção do Centro, destaca que, dependendo da gravidade, o CAPS AD realiza tratamento intensivo, em que o paciente é atendido de segunda à sexta-feira, o dia todo, o semi-intensivo, em que a frequência é de três dias na semana e o não-intensivo, que se resume a um ou a dois dias semanais. Os usuários recebem tratamento individual e em grupo, além do medicamentoso. “Eles participam de terapia, educação física, encontros em grupo, atendimento individual e consultas”, conclui. As famílias participam também de reuniões, pois são consideradas imprescindíveis ao tratamento como núcleo informativo da vida do usuário.

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