Edgard Navarro

Nesta semana, a Sala de Vídeo da Casa da Cultura está com focando em mais uma edição do Festival de Vídeo de Teresina, com uma programação que inclui animações, ficção, documentários, obras piauienses e de todo o país. As exibições iniciam às 18h30 e a entrada é franca. E para quem pensa que vai parar por ai, na próxima semana o Coletivo Diagonal, em parceria com a Casa da Cultura traz a mostra “Bahia em Tempo de Cinema” focando as atenções para os fragmentos do cinema realizado na Bahia, homenageando os cineastas Fernando Coni Campos e Edgard Navarro, nos dias 3 e 4 de dezembro, no mesmo horário.

Através do intercâmbio acadêmico envolvendo os pesquisadores em história do cinema brasileiro, Aristides Oliveira (PI) e Izabel de Fátima (BA) – que trabalham com estudos sobre o audiovisual nordestino na década de 70 – o evento, além de exibir “Eu me Lembro” (Navarro”) e O Mágico e o Delegado” (Fernando Coni Campos), irá lançar o vídeo “Navarro: sujeitobjeto”, uma entrevista com Edgard Navarro, revelando suas influências artísticas e seu posicionamento político-cultural diante do cinema produzido na época.

O vídeo acompanha a fala de Edgard Navarro, um dos maiores representantes do cinema experimental baiano dos anos 70. Entre a subversão de Meteorango Kid e o riso sangrento de Arnaldo Albuquerque, Navarro faz um mapeamento de sua trajetória artística, revelando seus traços criativos, inspirações e ódios contra o cerceamento moralista familiar, que o faz jogar “merda” em cima da caretice patriarcal, que vive à sombra do conservadorismo colonial. Um vídeo que reflete sobre nossas heranças cinematográficas: o cinema marginal nordestino, além da boca do lixo.

“Promover esse debate aberto com Edgard foi muito importante para ampliar as perspectivas sobre as leituras envolvendo sua obra. O vídeo é uma importante ferramenta para compreender suas angústias individuais, que estão diretamente conectadas com o sentimento rebelde da juventude superoitista da década de 70. Esse trabalho – amador por convicção – é resultado de que pesquisa acadêmica sobre cinema pode ser produzida livremente, com uma câmera handcam, um tripé e muita articulação, pois é nisso que o Coletivo Diagonal acredita: no audiovisual (seja amador ou profissional) em construção constante”, afirma Aristides Oliveira, que junto com Meire Fernandes, compõe o coletivo.

Em 2012, os diagonais fecharam parcerias com pernambucanos e mineiros na produção de mostras de vídeo em Teresina, agora é a vez da Bahia expor suas imagens.

A Casa fica localizada na Rua Rui Barbosa, N° 348, Centro, próxima à Praça Saraiva, mantida pela Prefeitura de Teresina por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves.

 

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