“Se não houver mudança de hábitos e uma postura mais agressiva da população em relação à eliminação de potenciais criadouros residenciais do mosquito Aedes aegypti, Teresina padecerá, pelos próximos dois meses, um crescimento preocupante de casos de dengue.” O alerta é do presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Pedro Leopoldino, com base no último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), que aponta crescimento no número de focos e de infestação do inseto em todas as zonas da cidade, principalmente nas residências, que concentram 80% dos potenciais criadouros do inseto.

Para a realização do levantamento, a Gerência de Zoonoses da FMS divide a cidade em 29 estratos (áreas), dos quais 19 estão na classificação de médio potencial para dengue, três de alto potencial e sete de baixo potencial. “Todo esse levantamento é feito dentro dos imóveis e os três estratos de alto potencial são da Zona Norte, portanto, é preocupante”, explica a coordenadora da equipe técnica de Controle de Roedores e Vetores do Serviço de Zoonoses, Oriana Bezerra Lima. A coordenadora explica que em virtude da irregularidade do abastecimento d’água na Zona Norte, a população é obrigada e armazenar o produto em manilhas, tambores e outros recipientes.

Ela alerta para a necessidade de as pessoas tamparem esses reservatórios, pois, de acordo com o último LIRAa, são criadouros predominantes. “Ainda há a questão do lixo e de objetos esquecidos nos quintais que acumulam água. É preciso que os proprietários dos imóveis tenham atitude no sentido de evitar os criadouros, não os transformando em disseminadores de Aedes”, frisa Oriana Bezerra. Segundo a técnica, a Zona Sul também preocupa, pois estão sendo encontrados focos de dengue em criadouros como calhas, lajes, lixo e outros resíduos. Oriana explica que a ampliação da atividade comercial proveniente de venda de sucatas, ferros-velhos, borracharias e os depósitos de materiais recicláveis facilitam o crescimento de criadouros. “É nessa região da cidade em que se reune o maior número desses tipos de estabelecimentos.”

Já na Zona Leste, a coordenadora ressalta a dificuldade de inspeção nos imóveis fechados ou abandonados, pois a identificação e a localização dos proprietários levam tempo. “Desta forma, alertamos para a necessidade desses proprietários e imobiliárias terem o cuidado de fechar todos os vasos sanitários, caixas-d’água e ralos, aterrar piscinas ou mantê-las tratadas e realizar periodicamente a capina” orienta a técnica. Outra preocupação são os canteiros de obra da construção civil Alerta – “Será uma batalha perdida contra a dengue se a população não tomar uma atitude de cidadania e se municiar das armas da prevenção com as informações que tem sobre proteção contra esse mosquito, principalmente por conta do fim do período chuvoso, quando aparece uma infinidade de criadouros do mosquito”, alerta a coordenadora de Ações Assistenciais da FMS, Amariles Borba.

Segundo ela, a grande maioria dos casos de dengue em Teresina tem origem nos focos encontrados dentro das próprias residências. Ações – Em parceria com o Exército Brasileiro, a FMS vem intensificando atuação na Zona Norte, região mais atingida pela dengue. Até esta terça-feira, 31 de maio, a Operação Técnico-operacional para Eliminação de Focos do Aedes aegypti, composta de militares do 25º Batalhão de Caçadores, 2º Batalhão de Engenharia e Construção e agentes de endemias, havia visitado 10.200 imóveis na região da Santa Maria da Codipi. Esta semana, a operação está concentrada na região do Parque Brasil III.

Os Correios participam da operação distribuindo folhetos informativos sobre dengue juntamente com as correspondências. Equipes da Zoonoses e da Estratégia Saúde da Família reforçam o trabalho de busca dos focos do mosquito nos imóveis residenciais, comerciais e repartições públicas, além dos terrenos baldios. Armadilhas também estão sendo utilizadas para a captura do inseto. Números – Último boletim epidemiológico registra em Teresina 2.682 notificações de casos suspeitos de dengue em 2011. Desse número, 2.658 são do tipo clássico de dengue, 17 com complicações, quatro com febre hemorrágica, contudo nenhum óbito em decorrência da doença este ano.

Os bairros (unidades de localização em uma cidade)mais atingidos são: Dirceu Arcoverde, Santa Maria da Codipi, Buenos Aires, Mocambinho, São Joaquim, Renascença, Mafrense, Gurupi, Parque Ideal, Angelim, Satélite, Santo Antonio, Monte Castelo, Novo Horizonte, Três Andares, Água Mineral, Promorar, Memorare, Todos os Santos e Centro.

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