Agregar valor ao algodão. Esta é a perspectiva dos produtores rurais de algodão do Norte de Minas a partir da implantação do polo industrial do setor de confecções em Espinosa. “Agregar valor é um sonho nosso, e este projeto está abrindo as portas”, avalia o assessor técnico da Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti Ltda (Coopercat), José Tibúrcio de Carvalho Filho.

O anúncio do polo foi feito em outubro, em Belo Horizonte, pelo empresário Lucivaldo Barros Lima, durante assinatura de protocolo de intenção para a expansão da Indústria e Comércio de Confecções (Amil Confecções). Com a criação do Polo de Confecções, até 2014, a previsão é que sejam fabricadas em Espinosa de 300 mil a 500 mil peças por mês de vários segmentos têxteis.

Com investimento próprio e em parceria com a prefeitura de Espinosa, o empresário iniciou a implantação do Distrito Industrial que sediará o novo polo, que deverá abrigar as 65 confecções e facções já existentes no município. “A ideia surgiu não só para agregar todas as empresas do setor e direcionar a industrialização e comercialização de artigos do vestuário e de cama, contudo também para incrementar a economia da cidade. Nossa ideia, inclusive, é criar pontos de venda e transformar Espinosa em um polo como os do Barro Preto (em Belo Horizonte) e Divinópolis”, explicou.

José Frederico Álvares, presidente do Indi, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede), informou que a secretaria irá dar todo o apoio necessário para a estruturação do Polo de Confecções de Espinosa, que inicialmente deverá concentrar 28 facções.

A Coopercat produz 900 toneladas por ano ,e de acordo com Tibúrcio, hoje a produção é vendida em plumas para a indústria têxtil mineira, com o apoio do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas). “O polo de confecção de Montes Claros surgiu da aptidão da região em produzir algodão, contudo agora queremos desenvolver toda a cadeia produtiva do setor aqui mesmo na região e o pólo de Espinosa pode abrir as portas para produzirmos o fio e o tecido aqui mesmo”, avalia Tibúrcio.

“A implantação deste polo de confecção com certeza fortalece toda a cadeia. A industria têxtil irá vender para as confecções e o produtor irá vender mais para a industria têxtil. É um elo positivo onde a pujança de um reflete nos demais componentes da cadeia têxtil”, analisa o diretor-executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão de Minas Gerais (Amipa), Lício Augusto Pena de Sairre.  

Produção de algodão

A produção de algodão na região, matéria prima de qualquer confecção, tem encontrado condições favoráveis. O Proalminas, criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é um dos responsáveis pelas transformações no setor.

De acordo com Lício Pena, o Proalminas é o pilar que sustenta a cadeia têxtil mineira. “O programa garante benefícios à industria têxtil que por sua vez repassa parte para os produtores mineiros. É o mais inteligente programa público de incentivo e regulamentação de uma atividade produtiva. Esse polo a ser instalado no Norte de MG representa o último elo da cadeia, que são as confecções, que por sua vez adquirem sua matéria prima das industrias têxteis. Quanto mais confecções estruturadas em MG melhor para a industria têxtil e para os produtores consequentemente”, avalia o presidente da Amipa.

“O Norte de MG hoje detém cerca de 10% da produção de pluma mineira e está em franco crescimento. Além da agricultura familiar instalada na região de forma organizada e sustentável, apoiada pelo Proalminas e sob gestão direta da AMIPA, temos o advento de grandes projetos empresariais. No setor industrial, temos indústrias instaladas em Montes Claros e Pirapora. No setor agrícola, cito a região de Buritizeiro e São Romão, com a instalação de usinas de beneficiamento de algodão em ambas as cidades sustentadas pelo plantio empresarial do algodão de sequeiro e irrigado, respectivamente”, finaliza Lício Pena.

A produtividade na lavoura do algodão em Minas Gerais tem crescido desde 1994, quando foram colhidas 78.938 toneladas de uma área plantada de 84.155 hectares, para uma colheita de 106.598 toneladas registrada em 2012, em uma área de 30.533 hectares – ou seja, a produção aumentou e a área plantada diminuiu. Um dos fatores para o crescimento da produtividade é a curta duração do ciclo de produção na região por causa das baixas altitudes, além da utilização de sementes melhoradas e novas tecnologias.

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