A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Secretaria de Trabalho e Emprego (Sete), Fundação João Pinheiro (FJP), Dieese e Seade, apontou taxa de desemprego de 5% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Essa é a menor taxa entre as sete regiões metropolitanas avaliadas pelo 13º mês consecutivo, que ficaram com média de 10,7%. As taxas registradas foram de 7,0% em Porto Alegre, 9,7% em Fortaleza , 11,1% em São Paulo, 11,6% em Recife, 12,7% no Distrito Federal e 17,8% em Salvador.

Em comparação com o mês de junho, a PED manteve-se relativamente estável, com pequena elevação na taxa de desemprego total na RMBH, ao passar de 4,8% para 5,0% da População Economicamente Ativa (PEA). Esse movimento foi observado também na taxa de desemprego aberto, que aumentou de 4,3% para 4,6%.

As ocupações exibiram queda de 7 mil trabalhadores, em maior volume do que o de pessoas que deixaram de fazer parte do mercado de trabalho (2 mil) o que resultou neste ligeiro acréscimo do número de desempregados. O número de ocupados na região metropolitana também apresentou ligeira redução em relação ao mês anterior (0,3%) e foi estimado em 2.310 mil trabalhadores.

Melhoria substancial desde 2011

No entanto, nos últimos 12 meses, houve redução do contingente de desempregados em 66 mil pessoas, resultado do acréscimo de 24 mil ocupações, e da diminuição do contingente de pessoas no mercado de trabalho da região (42 mil). Na capital, a taxa de desemprego total diminuiu em relação a julho de 2011, ao passar de 6,9% para 4,8% e, nos demais municípios da RMBH, reduziu-se de 8,5% para 5,3%, no período em análise.

O coordenador do Observatório do Trabalho, Igor Coura, acredita que os números não poderiam ser melhores. “A taxa de desemprego no nível atual está mais relacionada a outras motivações do que a questões socioeconômicas. Esses trabalhadores desempregados são aqueles que possuem dificuldades naturais de conseguir um emprego, como jovens que estão procurando o primeiro emprego, migrantes recém chegados na região ou aqueles que estão retornando ao mercado após longo período de ausência”, pontua.

Para ele, a tendência é que a taxa mantenha-se próxima a 5% até o final do ano. “No primeiro semestre, mesmo com a pressão externa negativa, o mercado de trabalho mineiro reagiu muito bem. A partir de agora, a economia deve se aquecer devido às férias, festas de fim de ano e bonificações pagas ao trabalhador, mantendo ou até reduzindo a taxa de desemprego”, prevê.

Segundo a PED, o tempo médio de procura por trabalho despendido pelos desempregados em julho de 2012 foi de 25 semanas, uma a menos em relação ao mês anterior e nove a menos em relação ao mesmo mês de 2011, quando esse tempo era de 34 semanas.

Assalariados têm crescimento na comparação anual

Comparado a junho deste ano, diminuiu o número de postos de trabalho entre os assalariados (menos 21 mil), refletindo decréscimos no setor privado (11 mil), e no setor público (10 mil). No setor privado, este resultado é ligado à queda dos assalariados com registro em carteira, já que foi registrado acréscimo no contingente de assalariados sem registro.

A PED registrou acréscimo no número de ocupados classificados nas “demais posições ocupacionais” – trabalhadores não classificados como públicos ou privados – , de 4 mil e no contingente de autônomos (13 mil). Já o emprego doméstico apresentou redução de 3 mil trabalhadores.

No comparativo anual, contudo, os números mostram uma tendência positiva. Foi registrado crescimento do assalariamento total (41 mil, ou 2,5%), resultado do acréscimo no setor privado (65 mil, ou 5,1%), já que houve decréscimo de ocupados no setor público (24 mil, ou 7,2%).

O desempenho no setor privado resultou do crescimento do número de assalariados com carteira de trabalho assinada, já que o contingente de assalariados que não a possuíam permaneceu relativamente estável.  O número de autônomos permaneceu em relativa estabilidade (-1 mil, ou -0,3%). Retraíram-se os contingentes de empregados domésticos (8 mil, ou 5,3%) e o de ocupados nas “demais posições” (8 mil, ou 5,8%).

Setores de transconstituição e serviços oscilam mais

Em relação ao mês anterior, foram registrados decréscimos no contingente de ocupados na indústria de transconstituição (10 mil, ou 3,2%), no setor de serviços (2 mil, ou 0,1%) e na construção (1 mil, ou 0,5%).

No comparativo anual, novamente, o balanço é positivo. A indústria da transconstituição e o setor de serviços registraram acréscimos de 5 mil e 23 mil (ou 1,8%), respectivamente, comparados a 2011, enquanto  a construção apresentou queda de 7 mil, ou 3,5%.

Os postos de trabalho no comércio e reparação de veículos tiveram ligeiro acréscimo em relação ao mês de junho (1 mil, ou 0,2%), contudo exibiram queda em relação a 2011 (3 mil, ou 0,6%).

Rendimento médio cresce entre a população mais pobre

O rendimento real médio dos ocupados foi estimado em R$ 1.359, em junho de 2012, o que representa redução de 1,5% em relação ao mês anterior e de 5,2% em relação ao ano passado (R$ 1.433). É preciso observar, contudo, que a queda foi impulsionada pelo rendimento dos 10% da população com renda mais alta no Estado, que teve uma redução mais expressiva.

Entre os 10% dos ocupados mais pobres, que recebem em média R$ 623, houve um acréscimo de 7,91% na renda, entre junho de 2011 e o mesmo mês de 2012. Entre os 25% mais pobres, que ganham em média R$ 715, o salário cresceu 12,41% no mesmo período. Entre os 10% mais ricos da população de ocupados, cuja renda média é apurada em R$ 2.505, houve uma queda de 16,58% entre junho de 2012 e junho de 2011.

O salário real médio também apresentou decréscimo de 1,0% em relação a maio e de 6,9% em relação a junho de 2011, sendo estimado em R$ 1.320.  No comparativo mensal, o rendimento médio dos autônomos aumentou (1,0%) sendo estimado em R$ 1.467. No setor privado, foram observadas reduções no salário médio do setor de comércio e reparação de veículos (1,2%) e no setor de serviços (0,6%). Na indústria de transconstituição o salário médio aumentou 0,3%.

Entre junho de 2011 e junho de 2012, foram registrados, no setor privado, aumentos do salário médio real do setor de comércio e reparação de veículos (9,1%) e da indústria de transconstituição (3,2%), e redução no setor de serviços (6,6%).

Entre os assalariados com carteira assinada houve decréscimo de 2,4% no rendimento médio, e entre os sem registro em carteira a redução foi de 9,8%. Entre os autônomos, o rendimento médio aumentou (14,2%), no período em análise.

O coordenador técnico da Pesquisa de Emprego e Desemprego, pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos, destacou o crescimento nos rendimentos dos autônomos. “Nos últimos anos tivemos um período de grande crescimento de trabalhadores com carteira assinada. As pessoas que trabalhavam como autônomas, por falta de opção, migraram para empregos com carteira assinada, pois permitem salário e seguridade. Com isso, o grupo de autônomos que permanece no mercado são aqueles que já estão estabelecidos profissionalmente e com clientela própria. A tendência é que, no grupo de autônomos, permaneçam profissionais mais qualificados e, com isso, a renda tende aumentar”, conclui.

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