Divulgação SETE

Fernando Duarte do Dieese, Plínio de Campos da FJP e Igor Coura do Observatório do Trabalho da SETE divulgam o resultado da PED

Fernando Duarte do Dieese, Plínio de Campos da FJP e Igor Coura do Observatório do Trabalho da SETE divulgam o resultado da PED


A Pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego (PED), divulgada nesta quarta-feira (30), pela Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (SETE), Fundação João Pinheiro, Dieese e Fundação Seade, apontou redução na taxa de desemprego total na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ao passar de 5,4% da População Economicamente Ativa (PEA) em março para 5,0% em abril. Esse número é significativamente menor que os 8,1% apurados em abril de 2011 e também o menor da série histórica, iniciada em 1996. Na média entre as sete regiões metropolitanas analisadas (Belo Horizonte, Salvador, Recife, São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e Distrito Federal) o desemprego total ficou em 10,8%.

No período, a redução de 10 mil pessoas (7,6%) no número de desempregados na RMBH, em relação ao mês anterior, resultou do crescimento de 8 mil ocupações (0,3%), somando à retirada de 2 mil pessoas do mercado de trabalho (0,1%). Segundo o coordenador técnico da pesquisa, Plínio de Campos, o trabalho precário também diminuiu em 3 mil pessoas.

De acordo com a pesquisa, o tempo médio de procura por trabalho despendido pelos desempregados na RMBH foi de 24 semanas, 2 a menos em relação ao mês anterior e 7 a menos em relação a 2011, quando o trabalhador gastava em média 31 semanas para ser recolocado no mercado de trabalho. Esse também é o menor tempo de procura já registrado pela PED.

Para o secretário de Estado de Trabalho e Emprego, Hélio Rabelo, o Governo de Minas está no caminho certo, com resultados cada vez melhores nas políticas públicas que beneficiam os trabalhadores mineiros, como a apreciação profissional, a estruturação das unidades de atendimento ao trabalhador e a convergência das ações na Rede Mineira do Trabalho. “Temos atacado o desemprego em variadas frentes, para que nossos trabalhadores sejam capacitados e preparados para o mercado de trabalho e para que as empresas possam absorver cada vez mais mão de obra qualificada”, garante.

Segundo o coordenador do Observatório do Trabalho da SETE, Igor Coura, há uma dificuldade natural de baixar ainda mais a taxa de desemprego na RMBH, por vários fatores, entre eles a taxa de inatividade, o benefício do seguro-desemprego e mesmo a adequação do mercado. “O Governo continua se preocupando com a taxa de desemprego, contudo hoje já podemos nos preocupar com setores específicos da economia e na melhora do perfil geral do emprego no Estado”, afirma.

Em abril, o número de ocupados na RMBH permaneceu praticamente estável em relação ao mês anterior (0,3%) e foi estimado em 2.299 mil trabalhadores. Foram registradas quedas no contingente de ocupados na construção civil (4 mil, ou 2,1%), no comércio (6 mil ou 1,7%) e na indústria (1 mil ou 0,3%). No agregado “outros setores” e no setor de serviços houve acréscimo de 5 mil (ou 3,4%) e 14 mil (ou 1,1%), respectivamente.

Em relação ao ano anterior, o nível ocupacional aumentou 3,2%. Foram registrados acréscimos nos postos de trabalho nos serviços (51 mil, ou 4,1%), no comércio (20 mil, ou 6,2%), na construção civil (98 mil, ou 4,5%) e no agregado “outros setores” (2 mil, ou 1,3%) e decréscimo de ocupações na indústria (10 mil, ou 3,0%).

“A redução na construção civil é o reflexo observado na fatia da construção pesada para consumo durante o primeiro trimestre. Neste período as famílias têm mais obrigações a serem quitadas e, consequentemente, dão uma pausa nas reformas ou construções de suas casas”, explica o coordenador da PED pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos.

O supervisor técnico regional do Dieese, Fernando Duarte reitera que é preciso monitorar o mercado de trabalho nos próximos meses. “Temos que observar a indústria, por exemplo, que apresenta os melhores salários e tem grande capacidade de gerar renda para o Estado. Se continuar nesse nível de desemprego, o foco maior de preocupação será com a qualidade e não mais com as taxas”, destaca.

Segundo posição na ocupação, a PED registrou em abril crescimento do número de postos de trabalho entre os assalariados (29 mil), refletindo acréscimo no setor privado (33 mil), já que foi registrada redução no setor público (4 mil), em relação a março. O comportamento do setor privado resultou do crescimento do contingente de assalariados com registro em carteira (37 mil), já que o contingente de assalariados sem registro diminuiu (4 mil).  No período, houve redução do contingente de autônomos (15 mil) e acréscimo no número de ocupados no emprego doméstico (5 mil).

Rendimentos

O rendimento real médio dos ocupados na Região Metropolitana de Belo Horizonte foi estimado em R$ 1.410, em março de 2012, o que representa redução de 2,4% em relação ao mês anterior e 4,7% em relação ao mesmo período de 2011. O salário real médio também apresentou decréscimo de 2,1% em relação ao mês anterior e de 5,2% em relação ao ano passado, sendo estimado em R$ 1.389.

A coordenadora técnica da PED, Gabrielle Cicarelli, afirma que a queda nos rendimentos não é necessariamente um fator negativo. “Verificamos que entre os 10% da população com menor salário houve significativo crescimento nos rendimentos, enquanto que entre os 10% da população que recebe maior salário é que houve queda. A queda nos rendimentos da população de maior renda pode estar mascarando as melhorias nos rendimentos da parcela que ganha menos”, conclui.

A média dos rendimentos nas sete regiões metropolitanas apuradas foi de R$ 1.458, sendo mais alta no Distrito Federal (R$ 2.294) e mais baixa em Fortaleza (R$ 997).

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