Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos adotaram o conceito de contenção desenvolvido por George F. Kennan como uma estratégia para ajudar a prevenir a propagação do comunismo.
Agora, em uma inesperada adaptação deste conceito, poderes autoritários influentes da Rússia e da China têm desenvolvido seu próprio tipo de contenção. Esta nova versão, uma mudança substancial na idéia de Kennan, não tem como objetivo conter a tirania, em vez disso trata de inibir a propagação da democracia.

Durante a última década, os regimes em Moscou, Pequim, Riyadh, Caracas e Teerã têm usado modernas técnicas para acabar com dissidentes internos. A supressão de vozes democráticas dentro de suas fronteiras tem sido cada vez mais sofisticadas. Governos repressivos aprenderam a usar a lei para reger com mão pesada contra a sociedade e a oposição política. Eles adotaram reformas de mercado, mas, em seguida, usaram o mercado para modernizar as ferramentas de repressão autoritárias.

Esses governos não só atualizaram os métodos para conter o possível avanço da democracia em seus países. Eles deram um salto decisivo para um novo nível qual seja:  minar a democracia para além de suas fronteiras, a fim de tentar preservar a continuidade de seu estilo de governo. Este fenômeno é um sinal de que os países autoritários têm reconhecido que, na era da globalização, regimes de segurança não podem ser alcançados apenas através do controle interno. A proliferação de instituições regionais e internacionais com base na legalidade da promoção dos valores democráticos, junto com o crescimento intenso e integração global através da Internet, são agora considerados uma ameaça direta a permanência no poder de governo autoritários.

 

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